
A chegada da Copa do Mundo de 2026 promete movimentar significativamente o comércio brasileiro, especialmente os setores de alimentação e bebidas. Estudo divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o torneio, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México a partir de 11 de junho, deverá injetar R$ 4,32 bilhões no varejo nacional, representando um crescimento real de 6,5% em comparação à edição de 2022.
Segundo a pesquisa, os hipermercados e supermercados serão os grandes beneficiados pelo evento esportivo, concentrando aproximadamente 70% de todo o faturamento adicional previsto. O segmento de alimentos e bebidas deverá responder por cerca de R$ 3,97 bilhões em vendas, impulsionado pelo consumo doméstico durante os jogos e pelas tradicionais reuniões entre amigos e familiares para acompanhar as partidas.
Para a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), os dados reforçam a relevância da gastronomia e da alimentação fora do lar como importantes motores da economia nacional em períodos de grandes eventos esportivos. Bares, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos de alimentação devem registrar aumento na demanda, especialmente em cidades turísticas e centros urbanos que tradicionalmente concentram a transmissão dos jogos e eventos temáticos relacionados à Copa do Mundo.
O estudo também revela uma mudança no comportamento do consumidor. Diferentemente de edições anteriores, quando a compra de televisores liderava o movimento pré-Copa, o cenário atual é marcado pelo crédito mais restritivo e pelas taxas de juros elevadas. Como resultado, os brasileiros tendem a priorizar gastos imediatos e experiências de consumo, direcionando seus recursos para alimentação, bebidas e produtos de menor valor agregado.
Além do setor alimentício, a CNC projeta impactos positivos para segmentos como vestuário e acessórios, que poderão movimentar cerca de R$ 803,7 milhões, além de artigos de uso pessoal e doméstico. Já os eletrodomésticos e eletrônicos devem apresentar desempenho mais moderado, mesmo com a redução dos preços dos televisores em relação à última Copa do Mundo.
Outro fator que contribui para o otimismo moderado da CNC é a melhora dos indicadores do mercado de trabalho. De acordo com a entidade, a taxa de desemprego caiu significativamente nos últimos anos, enquanto a massa de rendimentos reais avançou, criando condições mais favoráveis para o consumo. Apesar disso, o cenário econômico ainda exige cautela devido aos juros elevados e ao custo do crédito para as famílias brasileiras.