
Por Simone Barros
A International Luxury Travel Market Latin America (ILTM Latin America), maior plataforma de negócios do turismo de luxo na região, em parceria com o Panrotas, acaba de lançar o Anuário de Tendências de Turismo de Luxo 2026. Em sua quinta edição, a publicação se consolida como uma das principais referências no mercado , ao reunir dados, análises de comportamento e projeções para o segmento mais sofisticado da indústria de viagens.
Segundo Simon Mayle, diretor da ILTM Latin America, o anuário cumpre um papel estratégico em um cenário de excesso de informações. “A curadoria ajuda os profissionais a focarem no que realmente importa para o viajante de luxo, funcionando como um norte para decisões mais assertivas”, afirma.
O estudo aponta que, mesmo diante de um contexto global de desaceleração econômica e rápidas transformações tecnológicas, o turismo de luxo segue em expansão. Em 2024, o mercado global movimentou cerca de US$ 2,19 trilhões e pode ultrapassar US$ 4 trilhões até 2034, com crescimento anual estimado entre 6% e 8%. A América Latina se destaca nesse movimento, com o Brasil ocupando posição de protagonismo: o segmento gerou aproximadamente US$ 28,3 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 44,5 bilhões até 2030, crescendo acima da média mundial.
De acordo com o relatório, o viajante de alto padrão no Brasil tem renda individual superior a R$ 30 mil mensais, idade entre 25 e 59 anos e mantém uma rotina intensa de viagens. Realiza de duas a cinco viagens nacionais por ano e de uma a três internacionais. No Brasil, permanece de cinco a sete dias, com gasto médio entre R$ 10 mil e R$ 20 mil; no exterior, as viagens duram de oito a dez dias, com despesas que variam de R$ 30 mil a R$ 50 mil.
A pesquisa revela um viajante cada vez mais atento às práticas responsáveis. Hoje, 32% dos viajantes de luxo brasileiros priorizam destinos comprometidos com diversidade e inclusão, enquanto 25% consideram a sustentabilidade um fator relevante na escolha de destinos e fornecedores.
No campo tecnológico, a Inteligência Artificial já faz parte da rotina dos profissionais do setor, principalmente para criação de conteúdos, pesquisa e otimização de tarefas. Ainda assim, o estudo reforça que, no turismo de luxo, a tecnologia atua como apoio — não substitui o fator humano. A experiência vivida, o repertório e a confiança no agente continuam sendo decisivos no processo de compra.