Setor de eventos deve crescer 7,8% em 2026 e gerar mais de 140 mil empregos

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Crédito/Foto: Adobe Stock

O setor de eventos no Brasil deve manter trajetória de expansão em 2026, com crescimento estimado de 7,8% no consumo e forte impacto positivo na geração de empregos. De acordo com projeções da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o volume de consumo ligado às atividades de recreação pode alcançar R$ 151,9 bilhões no próximo ano, frente à estimativa de R$ 140,8 bilhões prevista para o encerramento de 2025.

O avanço econômico vem acompanhado da expectativa de criação de cerca de 143 mil novos postos de trabalho formaisem 2026. A maior parte dessas vagas, aproximadamente 83,9%, deve se concentrar no chamado hub setorial, conjunto de 52 atividades diretamente impactadas pela cadeia de eventos, enquanto o núcleo principal do segmento — o core business — também apresenta desempenho robusto.

As projeções fazem parte do Radar Econômico, boletim mensal lançado pela ABRAPE em 2021 para monitorar os efeitos da pandemia e a evolução do setor. O estudo utiliza dados oficiais do IBGE, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Receita Federal. Para o cálculo do consumo, são considerados indicadores como o peso da recreação no IPCA e a massa de rendimentos reais da população ocupada, com base na Pnad Contínua, seguindo a metodologia adotada pelo IBGE a partir de 2020.

Segundo a entidade, o hub setorial deve ser responsável por aproximadamente 120 mil novas vagas, impulsionado principalmente pelo desempenho de bares e restaurantes, serviços gerais, publicidade e propaganda, segurança privada, meios de hospedagem e agências de viagem. As estimativas apontam resultados cerca de 24% superiores aos níveis registrados antes da pandemia, período utilizado como referência histórica nas análises.

Para Alison Fiuza, economista responsável pelo Radar Econômico, os números confirmam o elevado efeito multiplicador do setor de eventos. “O comportamento do hub demonstra que os eventos impactam uma cadeia muito mais ampla do que a média dos serviços, estimulando diversas atividades econômicas de forma simultânea”, avalia.

Já o core business, que reúne atividades como organização de eventos, espetáculos artísticos e culturais, recreação, lazer e produção de eventos esportivos, deve responder pela criação de cerca de 23 mil novos empregos formais em 2026. Esses segmentos operam atualmente com um estoque de vagas 80,9% superior ao registrado em 2019. Para o economista Leonardo Alonso Rodrigues, que integra a equipe do estudo, o cenário indica uma mudança estrutural. “Não se trata apenas de recuperação pós-pandemia, mas de um novo patamar de operação e demanda para o setor”, afirma.

O presidente da ABRAPE, Doreni Caramori Junior, destaca que os dados reforçam a importância de políticas públicas voltadas ao segmento, como o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE). Segundo ele, os indicadores confirmam o papel estratégico do setor na economia brasileira. “Os eventos se consolidaram como um dos motores de geração de empregos e renda no país, com impacto direto em diferentes áreas da economia”, conclui.

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